segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

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Sujei minhas mãos de tinta para que não fiquem sujas de sangue.
 Transformei minha dor em palavras escritas para não precisar chorar em meu travesseiro.
 Abri todas as janelas que encontrei pelo caminho esperando que o vento leve meu derradeiro.

 Plantei flores sem espinhos para ver se minha alma volta a florescer sem dor.
 Colori minhas madeixas emaranhadas para ver se minha essência também manifesta alguma cor.

 Acendi um incenso para não sentir o cheiro dos meus sonhos mofados.
 Enchi minhas paredes de quadros, meu quarto de flores e decorações coloridas,
 para não precisar contemplar nenhum vazio a não ser o de minhas pungentes feridas.

 Faço o que preciso fazer para sentir que existo.
 Escrevo, pinto, crio, coloro, planto, decoro... resisto.


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Lista de Coisas para Fazer:

 Preciso de durepox para tapar as ranhuras da minha alma.
 Preciso de uma pá para vasculhar em mim o que já fui.
 Preciso de um travesseiro para abafar minha inquietude interna e poder ouvir os pássaros,
 que já nem sei se ainda cantam.
 Preciso de uma fita para recompor os pedaços de mim que larguei pelos cantos.
 Preciso de uma arma para assassinar os pensamentos espinhosos que ainda perambulam em meus sentidos, hostilizando a minha trêmula existência.
 Preciso alimentar minha essência enferma, que por ora sobrevive à base de maquinarias obsoletas que já não mais funcionam.
 Preciso de uma lata de tinta azul para pintar meu céu nublado.
 Preciso encontrar a chave da minha penosa clausura.
 Preciso dar ao menos às minhas ideias mais bestas a graça de concretude.
 Preciso organizar meu quarto.
 Fazer uma lista de horários.
 Desempoeirar meus sonhos.
 Dar água às minhas plantas.
 E voltar a vislumbrar as estrelas.

 Há tanto a ser feito, mal sei por onde começar, mas por ora sacia-me estar perdida em meus conturbados pensamentos, contemplando a brevidade e insignificância cósmica da nossa existência.



domingo, 28 de janeiro de 2018

Poema de Prantos

choro por estar mal
choro quando não consigo ficar mal
choro quando não me sinto mais mal
choro quando acaba meu sal
choro quando estou feliz
choro quando não sinto nada
choro quando me falam que não existem as fadas
choro quando dizem que choro demais
choro ainda mais quando dizem que chorar faz bem
choro pela minha alma que esborda
choro sem medo, eu choro
porque nesse mundo de lágrimas congeladas
prefiro um coração aquecido que transborda