quarta-feira, 14 de março de 2018

O Lobo Solitário

Eu sou um lobo solitário.
Não sei se por escolha,
Ou por ser da minha natureza.
Dentro de mim reside a angústia da inabilidade em compartilhar meus mais intensos sentimentos.
Os impuros, os incertos, os incorretos,
Os inocentes, os incongruentes, os inconvenientes...
Sinto-os, egoistamente, sem ninguém mesmo saber.
Minhas feridas mais profundas, meus medos mais assombrosos, minhas dores mais pungentes, enfrento todas sozinha, pois sou a única que as compreende.
Posso compartilhar muito de mim, meus risos acentuados, minhas poesias bagunçadas, minhas telas nunca finalizadas, mas sou incapaz de revelar minhas entranhas.
Sensações que ainda não foram inventadas palavras o suficiente para descrevê-las, como poderei expressá-las, se consigo apenas senti-las de maneira ímpar?
E assim, meu apego pela minha solidão se eleva sobre a angústia da minha inexpressividade.
A solitude se materializa em meus sentidos. Ela me atormenta, ao mesmo tempo em que me alicia.
O tormento dos pensamentos inexprimíveis que martelam de maneira contínua em minha mente conturbada, um caos parasitário que não pode ser eliminado do meu organismo.
Ou a solidão prazerosa dos meus sonhos mais excêntricos, aqueles que chamam de improváveis, que só eu mesma conheço o deleite que consome meu ser quando penso neles, seguindo as nuvens que se desdobram pela minha janela.
Só eu sou capaz de ouvir meu uivo inexprimível para a lua, que ecoa, frenético, nos cantos intocados da minh'alma.
Eu sou um lobo solitário,
Eu aprecio minha alcateia,
Porém, apenas na solitude sou capaz de me encontrar.

O Céu e os Desnorteados

Convivo com uma constante sensação de que estou me despedaçando ininterruptamente. Que perco fragmentos de mim que já fui, partes de mim que batalhei pra ser. Há buracos para preencher, buracos que um dia foram preenchidos. Sensações de que já fui melhor que isso. Sensações de que já pude ver mais cores, contar mais estrelas, apreciar mais as flores... Estou me perdendo aos poucos, caindo aos pedaços. Juntando os cacos e tentando colar com cola barata. Não sei para onde vou, e se souber, não sei se conseguirei chegar até lá aos pedaços. O saudosismo de uma jovem pela juventude. A insistência da inconstância em permanecer constante. A minha instável batalha para permanecer estável. As minhas forças quebradas para permanecer inteira. Às vezes olho-me no espelho e nem me reconheço mais, de tanto que já me perdi. Espero não perder minha visão, pois enquanto eu puder vislumbrar o brilho das estrelas, eu ainda saberei o meu lugar no universo. Que as estrelas orientem a minha alma errante...


sexta-feira, 9 de março de 2018

Teoria do Caos

Eu sou o Caos.
Tu, a Harmonia.
Dizem que a nossa junção
É capaz de originar as mais iluminadas Estrelas.
E a nossa desunião,
Eu li em algum verso,
É capaz de desestabilizar todo o Universo.


Como o bater de asas de uma borboleta que já não voa
Tu me trouxeste harmonia,
A nunca encontrada calmaria,
Em minha caótica euforia.

Assim, as borboletas já são livres para bater suas asas sem que eu me sufoque.

Fotografia de minha autoria.